
Você acha que antigamente tudo era tranquilo? Os registros policiais das três primeiras décadas do século XX em Bauru contam uma história bem diferente.
Neste episódio, gravado dentro do Sebo do Baú, Luís Paulo mergulha na obra "Tempos de Violência", do historiador Dr. Edson Fernandes — construída sobre anos de pesquisa em processos e documentos de época. O que ela revela é uma cidade que poucos reconheceriam: todo mundo andava armado, qualquer briga de bar podia virar assassinato, e o código penal de 1891 absolvia quem matasse alegando embriaguez.
E não era só o povão. A elite também resolvia suas desavenças a bala. O coronel Gustavo Maciel levou dois tiros na barriga depois de invadir a sede de um jornal — e perdoou o atirador na mesma hora. Um vice-prefeito ateou fogo nos móveis da amante em plena via pública. Um jornalista foi expulso da cidade numa estrada de terra, sem testemunhas.
A mesma Bauru que registrava aulas de educação física às margens do Rio Batalha em 1933 mandava toda a sua força policial para conter uma revolta em Piratininga — onde queimaram a casa do prefeito e jogaram o piano no meio da rua.
Não era sossegado. Era uma cidade em ebulição — violenta, contraditória e fascinante.